• A história do Jiu Jitsu

  • A história do Jiu Jitsu no Brasil

  • A história do Jiu Jitsu em São Paulo

    O Jiu Jitsu Gracie foi desenvolvido e sedimentado pela família Gracie no Rio de Janeiro. Devido a diversos fatores, até os anos 60 essa arte ficou restrita basicamente ao Rio de Janeiro apenas a família Gracie e alunos que podiam pagar pelas mensalidades relativamente caras. Além disso, diversas outras artes marciais começaram a se expandir no Brasil, especialmente o Judô na década de 60/70 e o Karatê na década de 80.

    Apesar de todos esses obstáculos, o Jiu Jitsu Gracie teve em São Paulo um importante núcleo iniciado por George Gracie e seus alunos. Um dos mais importantes foi Octávio de Mestre Otávio de AlmeidaAlmeida, pai do atual presidente da Federação Paulista de Jiu Jitsu, Octávio de Almeida Junior.

    A história desse mestre teve início na capital paulista onde nasceu em 02 de Novembro de 1927. São Paulo foi uma das cidades que atraiu um grande número de imigrantes japoneses e dentre eles diversos praticantes do Judô. Um dos mais importantes pioneiros do Judô foi Yassuitchi Ono e seu irmão mais novo Naotchi Ono, ambos inclusive rivais da família Gracie. Octávio de Almeida começou praticando Judô com Sensei Yassuitchi Ono até graduar-se faixa preta. Algum tempo depois, Octávio conheceu o George Gracie que veio divulgar o Jiu Jitsu em São Paulo e começa a treinar exatamente no dia 06 de Janeiro de 1950.

    É importante frisar que até a década de 50, o Judô praticado dava também muita ênfase ao NeWaza(técnicas de solo) e portanto, era muito parecido com o Jiu Jitsu praticado pela família Gracie. Até mesmo a nomenclatura usada era a mesma e os irmãos Ono ainda usavam o termo Jiu Jitsu. Muitos países também usavam a designação “Jiu Jitsu de Kano” e a separação definitiva entre as duas modalidades demorou a ocorrer.

    Essa familiaridade com o Judô “tradicional” fez com que Octávio de Almeida passasse rapidamente a ser o aluno mais graduado de George Gracie. Por volta de 1951, Octávio de Almeida já era um dos instrutores de confiança de George Gracie. Foi justamente nessa época que George Gracie resolve deixar São Paulo para dar continuidade as suas costumeiras andanças. O temperamento imprevisível de George espantava até mesmo seus amigos mais próximos e o modo como partiu deixa isso claro. A princípio George viajou sem avisar e após alguns dias liga comunicando que não iria mais retornar. Os alunos ficam perplexos e pedem a Octávio de Almeida que assuma os alunos. George aprova a solicitação e a partir disso Octávio dá início a sua brilhante carreira de professor de Jiu Jitsu.

    Durante algum tempo Otavio ainda mantinha o nome: ”Academia de Jiu Jitsu e Defesa Pessoal George Gracie do Prof. Octávio de Almeida” com o aval de George, que chegou a voltar apenas de passagem dois anos após sua partida.

    A importância de Octávio de Almeida foi crucial para o desenvolvimento do Jiu Jitsu paulista, pois nas décadas de 50 e 60 a cidade só contava com a presença dos professores Gastão Gracie e Pedro Hemetério que adotavam o sistema de aulas individuais característico da Academia Gracie do Rio de Janeiro.

    O primeiro Campeonato Paulista Infantil aconteceu em 1969 e foi transmitido em um programa do canal 7 com patrocínio do Pão Pulmann e após o sucesso inicial, acontecia anualmente. Os “Festivais”, como eram conhecidos os campeonatos infantis, atraíam uma quantidade de crianças que nem mesmo a Academia Gracie no Rio de Janeiro conseguira na época. Outro destaque eram os enormes e ornamentados troféus que Octávio de Almeida mandava confeccionar para incentivar os atletas.

    Outro importante aluno de Octávio de Almeida foi Moisés Muradi. Moisés além de sua carreira como atleta e professor, teve como destaque sua atuação na presidência da FESP, federação que também atua em São Paulo. Atualmente Moisés é presidente da CBJJE e também se dedica a promover campeonatos além de manter sua equipe Lótus Jiu Jitsu.

    Outro feito de Octávio de Almeida que merece destaque foi a criação em 1965 de um Departamento de Jiu Jitsu dentro da Federação Paulista de Pugilismo que era responsável por todos os esportes de combate da época. A criação desse departamento foi um degrau importante para a oficialização do Jiu Jitsu e dentre outros serviços, emitia diplomas, formalizava regras e designava juízes para lutas. Mestre Moisés Muradi

    Octávio de Almeida promoveu em 1976 o primeiro torneio paulista de Jiu Jitsu. O Pacaembu que já era palco para diversos eventos de Judô, Luta Livre e Vale Tudo acolheu o primeiro campeonato de Jiu Jitsu com a participação das equipes das Academias de Octávio de Almeida, Oswaldo Carnivalle e Pedro Hemetério.

    O Mestre Octávio de Almeida impulsiona o desenvolvimento local do Esporte, criando junto à Federação Paulista de Pugilismo, o Departamento de Jiu-Jitsu. Nesta época até os anos “80” se destacavam os seguintes Professores: Pedro Hemetério, Oswaldo Carnivalle, Gastão Gracie, Nahum Rabay, Orlando Saraiva, Romeu Bertho e Candoca. Com o falecimento do Mestre Octávio em 1983, o Jiu-Jitsu paulista entra em franca decadência.

    O Jiu-Jitsu paulista começa a se fortalecer com a chegada do professor Flávio Behring e de seu filho Marcelo Behring. Melhorando a estrutura e os campeonatos, o Jiu-Jitsu paulista começava a crescer para tornar-se um dos melhores do Brasil.

    Em 1989 o Professor Moisés Muradi retoma os eventos em nível Estadual, dinamizando novamente o esporte, e em dedicação ao antigo mestre Octávio e em sua homenagem, Moisés cria em 1991 a Federação Paulista de Jiu-Jitsu (www.fpjj.com.br) que alcança grande sucesso, sendo considerada já na época como a Segunda Potência depois do Rio de Janeiro, dando mais força para o desenvolvimento do esporte.

    Outro grande divulgador foi Fábio Gurgel, que também passou a lecionar em São Paulo. Contando com essas “feras”, a Federação organizou o primeiro circuito paulista de Jiu-Jitsu.

    Vários vale tudo foram disputados em São Paulo, contando com a participação de lutadores locais. Essas vitórias ajudaram ainda mais no crescimento do Jiu-Jitsu em São Paulo.

    Em 1993 acaba o mandato de Muradi, época em que o Jiu-Jitsu se tornou alvo da mídia e o lutador Royce Gracie vencia um dos primeiros “Ultimate Fighting Championship”. Com a propaganda explícita, muitos praticantes faixas pretas que nunca se preocuparam em dar aula, começaram a ministrá-las, devido ao “Pool” da Publicidade iniciada por Royce, divulgando ainda mais o esporte.

    Atualmente o jiu jitsu paulista é considerado tão bom quanto o jiu jitsu praticado em qualquer lugar do Brasil e do mundo.

  • A história do Jiu Jitsu em Bragança Paulista

    Em meados do ano de 1994, o mestre Moisés Muradi, procurando expandir o jiu jitsu no interior do Estado abre uma academia na cidade de Bragança Paulista, a Lótus Club de Bragança. Para tanto são designados a dar aulas os faixas roxas Juliano Prado e Flávio Padilha. Tem início então a era romântica do jiu jitsu em nossa cidade. Muitos atletas de outras modalidades, embora recusassem no início, foram gradativamente procurando a academia. Em campeonatos, ao se juntarem às cidades de Bragança e Atibaia, tínhamos um exercito quase imbatível, mesmo em grandes pólos do jiu jitsu como São Paulo. Ali passaram a maioria dos atuais professores de jiu jitsu e também de Educação Física dos dias atuais em nossa cidade.

    Com a disseminação mundial que ocorria com o jiu jitsu, o professor Juliano Prado foi convidado a se mudar para os EUA, deixando a academia totalmente sob a tutela do Professor Flávio Padilha. Com os passar dos tempos, novos valores foram surgindo, destacando-se o Professor João Clebe Herrera (Pepe) e Luciano Delcor (Tio Lú) que levaram o jiu jitsu para todas as cidades do Circuito das Águas.

    Com o passar dos tempos, o professor Padilha começa a focar a criação de cães da raça Pitbull, deixando de certa forma o esporte de lado. Bragança vive uma enorme decadência do esporte que com certeza veio a atrasar anos no desenvolvimento do jiu jitsu local.

    No início de 2000, um grupo de jovens que havia acabado de se desligar da equipe estava sem local para treinar. Para tanto utilizavam a sala, quarto e até a garagem de suas residências. Na Final do Estadual de 2001, conseguem lutar, amparados pelo professor Pépe (Lótus Club) e conseguem, após muita insistência que o faixa preta Fernando Margarida abrisse uma filial de sua equipe em nossa cidade. O jiu jitsu bragantino tem então um novo fôlego para continuar.

    Com o tempo, infelizmente, por diversas divergências internas, constatamos que Margarida era um excepcional lutador, realmente um fenômeno, mas o treino estava ficando tenso e difícil. A academia de nossa cidade estava em decadência e pelo fato de ser muito longe da capital, os professores já não vinham mais ministrar aulas, faltando constantemente.

    Um fato marcante aconteceu no Campeonato Brasileiro de 2002, considerado o mais difícil do país, quando o então faixa azul Mário Dias, praticamente sem treinos, disputou e venceu 5 lutas, sagrando-se campeão. Já no pódio, Mário Dias recebeu a faixa roxa das mãos do professor e então faixa marrom, Paulo Bento. Nossa academia voltou a crescer e a ganhar adeptos. Mas daí veio o estopim.

    No final de ano, na graduação, que estava marcada na academia do Professor Claudio Godói, para que vários lutadores de nossa academia fossem graduados e onde o professor Paulo Bento ganharia sua faixa preta, Margarida simplesmente não apareceu, deixando muitos atletas frustrados. Em conseqüência disso, no primeiro treino após a graduação, pressionado por pessoas que prefiro não citar nomes, Paulo Bento foi obrigado a simplesmente anular a graduação e retirar sua faixa preta e a de todos seus alunos que haviam sido graduados. E neste momento é que conhecemos os verdadeiros Samurais!!! Numa atitude simplesmente honrosa, o Professor Paulo Bento, retirou sua faixa preta da cintura e disse que abriria mão de sua conquista sem pestanejar, mas que as faixas conquistadas por seus alunos fossem preservadas.

    Graças a esse ato, Alessandro Capodeferro (eu!), Sérgio Gatão, Júlio Acedo, Pedrão, Gambá e muitos outros alunos, puderam continuar ostentando sua nova faixa. Mas como eu sempre digo, às vezes perdemos para ganhar!

    Liderados então por Paulo Bento, fomos recebidos de braços abertos e nos filiamos então a Marco Antonio Barbosa, o Barbosinha, que já era um mestre renomado no meio do judô e do jiu jitsu, onde nesta arte, teve uma de suas vitórias mais expressivas, quando lutou e venceu Royler Gracie, sendo que este, muito mais renomado, conseguiu ir para as costas de Barbosa e colocando os ganchos comemorou, porém, faltando alguns minutos para o final da luta, Barbosa conseguiu sair da posição e passar a guarda, vencendo o combate por 6 a 4. Bem, estávamos nós lá.

    Equipe nova e academia nova. Nossa filial aqui em Bragança agora, era na Academia Athiva, que na época estava localizada na Pires Pimentel. Um amplo espaço, num prédio grande. Nessa altura, a equipe já estava forte, sendo considerada uma das mais fortes da região. Com os atletas conseguindo expressivos resultados em campeonatos de nível Estadual, Nacional e Mundial. Os treinos na filial em São Paulo, com o Mestre Barbosa ficavam cada vez mais fortes e em consequência os atletas aqui, cada vez mais treinados.

    Nesse meio tempo, também surgiram outras academias na cidade, das equipes Lótus Club, Macaco Gold Team e outras, porém cabe ressaltar que na grande maioria, todos os professores haviam começado juntos, anos atrás, com o Professor Juliano Prado.

    Nessa época, a equipe Barbosa-Bragança já contava com outra academia filial, essa coordenada também pelo professor Mário Dias e as aulas ministradas por Sérgio Gatão no bairro Parque dos Estados, onde cada vez mais são formados verdadeiros guerreiros pelo estilo rígido e duro com que Gatão ministra as aulas. No fim de 2004, a academia teve que mudar novamente de lugar. Contradizendo todos os rumores de que as Artes Marciais são rivais, o professor Mário Dias fechou uma parceria com o Professor Munil Adriano do Muay Thai, faixa preta formado por Paulo Nikolai e o conhecido professor Mortal da Capoeira.

    Estava então criado o maior celeiro de lutadores de Bragança Paulista e região. Estava criada a academia CENTRAL DA LUTA! Com a união, os professores acirraram seus treinos e os campeonatos profissionais começaram a aparecer cada vez mais. A equipe Barbosa expandiu seus treinos, além dos já existentes na Pires Pimentel e no Parque dos Estados, abrindo aulas na Academia Cyrus com Gatão, e na Walker com Magno Almeida, além de duas academias em Atibaia e uma na cidade de Piracaia.

    Com os ensinamentos e filosofia do Mestre Barbosa, a equipe se uniu e se fortaleceu, sendo temida e respeitada em todos os campeonatos que participava. No final de 2004 tivemos mais uma graduação, onde diversos alunos receberam faixas marrons, roxas, azuis, laranjas e verdes, diretamente das mãos do mestre Barbosa.

    Com o passar dos anos e com o surgimento de novas equipes, algumas desavenças são inevitáveis, às vezes até dentro da própria equipe. Devido a esses fatos, alguns professores vieram a se separar, causando um extremo desequilíbrio na equipe.

    Atualmente, a equipe Central da Luta não existe mais, porem embora alguns professores tenham se separado, o relacionamento mantido pelo autor desta apostila, Alessandro Capodeferro, continua o melhor possível com todos os professores da cidade, reconhecendo e colaborando com o trabalho e dedicação que cada um tem com a arte suave.

    Diversos atletas que começaram conosco, hoje são professores, lutadores de MMA, professores de Educação Física, etc…, cada um fazendo o seu papel em prol do esporte.

    Todos que já passaram por aqui deixaram saudades e com certeza fazem falta! Todos que desejam vir e não o fazem, não tem noção de como fariam diferença! Mas com certeza, a energia positiva vem daqueles que aqui estão, contribuindo com seu corpo e conhecimento, para nosso crescimento mútuo!

    Em 2008 Alessandro Capodeferro é graduado a faixa preta e decide então criar a Escola bragantina de Jiu Jitsu. Uma equipe que começou a partir da idéia de dois alunos e hoje é uma das mais fortes e respeitadas equipes de toda região. A EBJJ é a única da região Bragantina a lutar nas duas federações existentes no Estado de São Paulo (FESP e FPJJ) e conta ainda com cursos de defesa pessoal e para uso policial.

    Este é apenas um pedaço de uma história que começa a ser escrita e que com certeza, ainda terá muitos capítulos de glória…